A magia das vadias pobre de Twitcam

[Texto originalmente publicado no Testosterona]

Não sou um forte praticante da pornografia na internet mas pelo pouco que sei do que acontece no submundo da punheta, toda madrugada rola a incessante busca por meninas se insinuando na twitcam. Geralmente com uma amiga, ou até mesmo sozinha, elas apostam na fórmula dançar funk → se insinuar com roupa de puta → decote à amostra → deixar subentendido que se atingir o número X de viewers (o número varia com a carência da vadia) ela/elas mostrará alguma parte escondida do seu corpo.

Me espanta esses caras desesperados por um final feliz na masturbação, em busca das maria-twitcam do subúrbio, que geralmente têm a cara oleosa, bigode e usam Neutrox sem enxágue no cabelo. Mas até aí tem público pra tudo na internet né, não julgo.

O curioso nisso tudo, é que esse monte de zé mané ficam se digladeando no chat da twitcam elogiando as meninas – que até então estão lá remexendo o corpo como se isso fosse algo sensual – pedindo pra que mostrem os peitos ou, quem sabe num golpe de sorte, a xerenga sendo penetrada por um cabo de escova.

É muito engraçado. Os caras criam fake com foto de malhadão e ficam cortejando as faveladas, enquanto elas fingem que não estão lendo os comentários maldosos e continuam se fazendo de sensual mostrando a língua (sério, quem inventou que isso é sexy?) trancadas num quarto. À noite. Sozinhas. Dançando pra um computador. Provando que são mesmo o resto escorrido da humanidade que se dispõe a conseguir parceiros em balada.

Parte importante de todo o espetáculo é conseguir alguma garrafa de bebida e ficar mostrando na webcam o máximo de tempo possível. Nem precisa beber, elas só insinuam que estão ingerindo o líquido pra dar a entender que são alcoólatras e rebeldes e que graças ao estado pseudo-embriagado, podem ter mais chance de mostrar aquele mamilo biscoitinho preto e judiado pela falta de banho.

O comportamento dessa turma inteira é curioso demais, merece estudo pra ser apresentado em monografia de faculdade de sociologia. Como se já não bastasse todo o processo e os participantes interagindo naquela forma patética, quando a twitcam atinge um número considerado pela(s) menina(s) relativamente alto (em torno de 1.000 viewers), elas fazem pose de santinha, fingem que estavam ali recitando Baudelaire, sacam o celular Android (na melhor das hipóteses financeiras) do bolso e tiram foto do monitor -COMO SE NÃO EXISTISSE A TECLA PRINT SCREEN NO MUNDO- pra mostrar pras amigas no recreio que conseguiram tal número de espectadores “no tt” (essa turma geralmente acha que “tt” é sigla pra “twitter” ao invés de “trending topics”, mas deixa quieto).

Este maravilhoso evento que a internet nos brinda, ao mesmo tempo que é engraçado, mostra toda a tristeza e ego murcho que essas meninas fãs de micareta e integrantes de família agraciada pelo bolsa-família fazem pra chamar atenção.

É quase tão triste quanto essas gordinhas do Twitter que falam de sexo o tempo inteiro.

Como eu adoro a internet.

Ganhe amigos criticando os outros, pergunte-me como

Acho meio triste essa galera que critica o trabalho dos outros na internet sem muito motivo aparente, só pelo simples fato gratuito de falar mal e ganhar alguns pontos de reputação com os amigos da panela.

Infelizmente já fiz bastante isso no auge dos meus 2 mil seguidores no Twitter e, assumo, sempre foi pra chamar atenção. Tô ligado que vai chegar uma galera criticando, inclusive, esse texto aqui, falando que me rendi ao sistema, que virei problogger etc e todas aquelas baboseiras previsíveis de gente que tá na internet apenas pra causar o rebuliço.

Pensando nelas que resolvi montar um pequeno manual de como aumentar a auto-estima criticando os outros na internet. Leia o título a seguir com a voz do Sílvio Santos, por favor:

PEQUENO MANUAL DE COMO AUMENTAR A AUTO-ESTIMA CRITICANDO OS OUTROS NA INTERNET

 1. Não importa se o trabalho daquela arrobinha famosa é bom ou não. Critique. Fale mal antes mesmo de ver o vídeo, ou ler o texto, ou chegar a alguma conclusão com um mínimo de análise para que se tome uma opinião relevante.

2. Faça chacota com tudo o que os outros falarem, ainda mais se a pessoa-alvo de sua crítica tem mais amigos que você. Uma boa forma de se sentir bem é diminuir o próximo para que ele fique no mesmo patamar de mediocridade em que o senhorio se encontra, para que possa ficar feliz nivelando as coisas por baixo, a partir de você.

3. Não importa se a pessoa tem a mesma opinião que você sobre algum assunto aleatório. Discorde. Faça da sua opinião o oposto da dela e subverta os pilares da sociedade mandando aqueles tweets ~venenosos~ sobre o que os outros acham, sempre tentando seguir a dica nº 2, que é fazer seu oponente ficar no mesmo nível-esgoto que você, assim as pessoas os notam na mesma perspectiva e com o mesmo prestígio (pelo menos na sua cabeça).

4. Viu um amigo sacaneando repetidamente alguém? Espere ele surgir online e tire sarro da mesma pessoa pra ele poder te notar auxiliando nesta empreitada e criar mais um aliado na incessante batalha que é a busca pela popularidade na internet e melhora na auto-estima. Quanto mais gente com a mesma ideologia que você tiver seguindo tua onda, mais refúgio terá quando a coisa ultrapassar os limites e não tiver pra onde/quem correr.

5. É importante, também, caso você não tenha muitos amigos na internet, que angarie alguns martelando o mesmo prego diariamente empurrado por uma maioria para o fundo da madeira, tal como falar mal do finado @Cardoso todo santo dia, mesmo ele não dando motivo.

Existem muito mais dicas, porém o propósito deste manual é ser algo simplificado e, como sei que muitos nem se darão ao trabalho de ler, tá bom demais as 5 diquinhas quentes pra você melhorar sua auto-estima fazendo o que de melhor se encontra na internet, que é a crítica destrutiva, sem base e superficial.

Vale ressaltar mais uma vez que todas os itens do manual levam o selo VYKTOR BERRIEL de aprovação, já que são tópicos anteriormente utilizados por mim nesta grande cracolândia chamada rede mundial de computadores e que, cá pra nós, funcionou muito bem, tendo em vista que hoje sou uma pessoa deveras realizada, mesmo que superficialmente.

Um grande abraço a todos que puderam se comportar como verdadeiros exemplos na nobre arte de agir feito babaca, para que eu possa analisar as atitudes e divulgar este belo texto em meu site pessoal (weblog, para os leigos).

Aproveito a oportunidade para divulgar uma nova ferramenta que eu acabei de criar, que facilita na hora da rebeldia. Só clicar aqui e mandar ver.

Um grande abraço a todos, fiquem com Deus.

Vivam os publicitários: Gil Brother voltou

Após toda aquela treta de Gil Brother, o Away de Petrópolis, com a turma do Hermes & Renato (atual Banana Mecânica), em que Away apareceu num vídeo para a revista Trip denunciando os maus tratos e dinheiro a receber do grupo de humoristas e da MTV, aparentemente o morador de rua resolveu se aventurar em território digital 2.0.

Ou melhor, empurraram ele para a internet.

Aparentemente, uma grande empresa de publicidade arrendou Gil Brother nesse empreendimento, muito bem montado, fugindo dos padrões tradicionais encontrados em vlogs, como aquela ambientação caseira e estrutura rudimentar. Eles utilizam o Youtube como um canal de divulgação para uma série de mini-programas e esquetes com o Away como carro-chefe.

Vi todos os vídeos publicados no Canal Away até a data de hoje e o que dá pra perceber é que resolveram mesmo reviver o espírito perdido durante a transição do Hermes & Renato para a Rede Record.

Alguns dos vídeos possuem até o way of life do H&R, porém sem o brilhantismo de atuação dos rapazes, substituídos por algumas novas caras que só vamos saber se possuem talento daqui algum tempo.

Quadros como a antiga Cozinha do Away e Away News reaparecem no canal, com outros nomes, dando indícios de um prosseguimento nessa linha de produção que transforma o Canal Away num apanhado de material dedicado aos fãs do Gil Brother.

O projeto também conta com um site para divulgação dos vídeos, algumas notícias relacionadas às produções, além de diversos espaços para publicidade, que aparentemente é o objetivo inicial disso tudo.

Mesmo com os comentários ensandecidos dos fãs nos vídeos, enaltecendo o novo trabalho e a volta de Gil Brother à mídia, o que me incomoda bastante é o fato de tudo ser meticulosamente bem produzido, dando a impressão de que alguma empresa irá encaixar sua marca na testa do Away a qualquer momento. Mas isso só o futuro dirá.

E o passado fica no passado

Desde pequeno a sociedade te impõe a fingir se preocupar com a vida alheia e tentar ser educado ao encontrar conhecidos na rua. Particularmente, odeio me forçar a demonstrar algum interesse por gente que não vejo a muito tempo. Certas coisas na vida precisam ser expugnadas e um claro exemplo disso são sujeitos que sairam do seu círculo de convívio.

Pode parecer falta de educação, mas não é. Fui educado sim, muito obrigado; uma educação católica e até mesmo rígida para os padrões da sociedade, mesmo assim eu não consigo demonstrar interesse em gente que simplesmente desaparece da minha convivência.

Ao esbarrar com criatura assim na rua, seja em ônibus, lojas, ou qualquer ocasião que a casualidade permita, minha atitude default é naturalmente achar um esconderijo seguro e torcer para que o infeliz não me veja, simples assim. Sério, já é quase uma fobia. Eu não quero que me encontrem, não quero encontrá-los e, caso os veja, finjo que nada aconteceu.

O problema é quando acontece a troca de olhares.

Quando teu olhar esbarra no do velho conhecido o impulso do ser humano é falar ao menos um “oi”. Disso eu não escapo, já é automático, eu falo mesmo não pretendendo. O foda é que quando você não vê a pessoa a bastante tempo – relativo pra várias pessoas, mas pra mim 6 meses de ausência na minha vida já é bastante tempo e eu rapidamente desconsidero o indivíduo – o assunto tende a não fluir, os interesses antigos, na maioria das vezes, não são mais os mesmos e os caminhos se separaram por simples formalidade do destino. O que tá no passado é pra ficar no passado.

Não tem conversa, não adianta. Você vai perguntar o que pra pessoa? Se ela tá bem? Clichê demais, eu não quero saber se ela tá bem, só quero que suma da minha frente o mais rápido possível. Falar sobre o passado é resgatar algo que não precisa, tanto que o que os unia se desfez, senão a pessoa ainda estaria ali, presente na sua essência.

Outra merda nisso tudo é que, inevitavelmente, a pessoa vai te julgar pelo que você é naquele exato momento. Provavelmente você tá mais gordo e mais feio e mais velho e sem paciência (meu caso), e o conhecido vai processar essas informações rindo mentalmente (eu sei que vai, eu faço isso quando encontro os outros), por isso é bom poupar essas etapas de desaprovação e partir logo pro tchauabraço o mais rápido possível.

Outra lei absoluta do encontro com pessoas do passado é que quanto mais tempo você ficar tentando puxar algum assunto relevante, mais constrangidos vocês dois ficarão. É BATATA.

Se for colega da época de escola, então, quero ficar o longe possível dessa gente. Sério. Abro o Orkut atualmente, vejo no que as pessoas do meu passado se tornaram e penso se elas acham a mesma coisa de mim. Sério, muita vergonha. Aqui no subúrbio do Rio de Janeiro é fácil se envergonhar do rumo que as pessoas seguem nessa fase crítica evolutiva adolescente-adulta. As possibilidades são poucas. Vamos a elas:

A bonitinha do colégio provavelmente virou funkeira e vulgar (perdão pelo pleonasmo); provavelmente ela ganha dinheiro em trabalhos de segundo escalão e sobe de cargo na FIRMA vendendo o corpo pro chefe e pagando boquetinhos atrás da mesa.

O baderneiro lá da oitava série (aquele que sentava junto dos amigos metidos a bandido na última fileira e só eram bons no time de handball em educação física) certeza que se envolveu com drogas e, com muita -MUITA- sorte, seu maior sucesso é ser chefe da boca de fumo mais próxima. Alguns já foram presos ou, na pior das hipóteses, queimados no pneu. Que Deus os tenha.

Aquela patricinha chata com voz aguda hoje em dia é secretária em alguma multi-nacional, ganha a vida atendendo telefonemas e fofocando com o porteiro na esperança de que algum dia ele a chamar pra sair. Sem esperanças na vida. Mesmo.

Tem também o núcleo evangélico da turma, aquele que sentava no canto direito da sala (lugares marcados sempre) e que hoje ganham a vida na igreja, trabalhando como obreiros, pastores ou até mesmo sendo líderes de sindicato respeitado no bairro, que extorque dinheiro da população em troca de serviços básicos e/ou influência com a prefeitura.

Meu grupo preferido é a turminha hard rock, que iam com camisas do Nirvana por baixo do uniforme e matavam aula pra jogar Counter-Strike na lan house atrás da escola; é aquela galera que fedia, sabe? O povinho da cara oleosa que se achava trevoso por gostar de Iron Maiden e postar foto de cemitério no Orkut (até hoje fazem isso). Esses caras hoje em dia, ou são desempregados e fumam maconha com mendigo, ou tiveram a sorte de nascer com a bunda virada pra lua e, graças aos pais, trabalham em algum setor não muito importante na empresa da família, movida pelo nepotismo desde que o avô morreu e repassou a herança.

Sinceramente, não me familiarizo em nenhuma das ocasiões e, você que tá lendo – como tem um ego muito grande – não vai se permitir encaixar em nenhum dos caminhos que sua turma do colegial seguiu. Você é perfeito e não se mistura, assim como eu.

O jeito é continuar fugindo de gente assim e sem olhar pra trás.

Mesmo quando o passado esbarra no teu ombro, pelos cantos da calçada.

Mendigagem 2.0

De um tempo pra cá, a internet é baseada em gente se humilhando para os outros à procura de algum status social ou qualquer vantagem que possa ganhar chupando o pau virtual de outra pessoa que lhe traga algum método regular de ter seu ego elevado.

Desde que esta grande cracolândia chamada internet existe, a mendigaria come solta nas redes sociais com os famosos pedidos de “comenta no meu flogão”, “me add no orkut”, “acessa o meu blog e deixa 1 comments?” dentre outras. Mas o que vem me incomodando atualmente é que não basta mais pirangar atitudes simples como acessar alguma URL ou deixar sua opinião num formulário qualquer, mas sim a verdadeira mendigaria, a forma mais efetiva de se humilhar e perder qualquer amor-próprio que o tenha, a atitude que deu origem ao termo máximo da mendicância: PEDIR ESMOLA.

Tá na cara que a moda agora é pedir dinheiro na internet. Assim, de maneira direta e simples. Não da forma abafada e por baixo dos panos que acontecia antigamente, como anúncios de adsense etc. Agora a mendigaria é objetiva. É um soco na cara. “CLICA AQUI PRA ME AJUDAR A <insira algum pedido MENTECAPTO>”.

Essa é a tendência. As pessoas comuns descobriram sites de pagamento online e estão abusando da tecnologia que, ao meu ver, está sendo usada de modo muito, mas muito errado.

Que fique bem claro que não tenho nada contra gente que faz essas vaquinhas virtuais pra conseguir grana e reverter em causas sociais, etc (por mais que duvide que todo o dinheiro arrecadado vá para o principal objetivo, mas isso é assunto pra outro dia). O que me fode o cu é ver gente mendigando dinheiro pra coisas idiotas, galera pedindo esmola pelo puro prazer de conseguir dinheiro FÁCIL. Gente inventando causas nobres pra conseguir CARAMINGUÁS às custas de otários que, na maioria das vezes, nem tem dinheiro sobrando mas doa por ainda acreditar na boa vontade dos indivíduos presunçosos da internet.

Não queria generalizar, mas a situação tá feia. É muita gente oportunista, é muita gente querendo ser malandra, é muita gente esquecendo que existe uma coisa chamada EMPREGO, que dá dinheiro HONESTAMENTE, mantendo o pouco de dignidade que os seres humanos tem no estoque, sem mesquinharia, sem se humilhar no Twitter inventando deficiências na família pra poder gastar toda a grana em gibi ou dvd.

Galera, vamos por a mão na consciência e refletir sobre o papelão que vocês estão passando. Daqui um tempo, quando (e se) vocês crescerem, certeza que ao olhar pra trás vão sentir muita vergonha disso tudo que estão fazendo. O fundamental é crescer mentalmente, porque, olha que tem gente VELHA fazendo isso. Ser um desempregado idiota com mais de 40 anos é muita derrota e, muito dificilmente não tem mais plot twist da dignidade em jogo.

Por favor: PEDIR ESMOLA É INDECENTE. Se humilhar pros outros é degradante. Implorar massivamente coisas para os contatos virtuais é vergonha alheia no seu nível mais alto. Não sei mais o rumo que essa galera vai tomar na vida.

Prefiro envelhecer cego, surdo e mudo. E por favor, não façam vaquinha pra me salvar.

O zuão

Todo mundo conhece aquele cara que se acha O ZUÃO do pedaço. É aquela espécie que podemos intitular de “homo palhaçus”, que sempre quer fazer piada com os amigos de trabalho, com a família, ou até mesmo na internet.

O zuão é uma raça maldita. Eu odeio gente que é zuão 24 horas por dia. O zuão eterno na maioria das vezes força ser engraçado e sacanear todo mundo, tenta se mostrar acima das leis do homem branco e faz de tudo pra tirar uma piada da situação.

Uma regra básica pra todo zuão é ser sem graça e babaca perante a população, enquanto ele mesmo acha muita graça do que faz e, provavelmente, ri das próprias atitudes pseudohumorísticas. O mundo tá cheio desses, grande exemplo é o consagrado ator Felipe Neto, estrela de vídeos no youtube (e daquele programa no Multishow que ninguém vê), além do atual Diogo, o mais mala de todos os Big Brothers.

Óbvio que alguém bem humorado agrada a todos e que gente mau humorada costuma, facilmente, afastar as pessoas. Só que o mundo precisa entender que ser engraçado é um dom, é um processo adquirido naturalmente. Ninguém precisa forçar certos tipos de macaquice pra parecer divertido, isso só expõe o indivíduo ao ridículo.

Eu estava debatendo o tema com meus seguidores no Twitter, até que conseguimos dissecar o zuão. Abaixo vou colar alguns tweets meus e, logo em seguida, coloco contribuições da galera que me mandou reply falando sobre atividades frequentementes praticadas pelo cara. Lembrem-se que vocês sempre podem acrescentar algo nos comentários, beleza?

Dissecando o zuão

  • zuão que é zuão diz que vai te dar um tim de aniversário depois completa a frase com “tim…. ganei rsrsrs”
  • zuão que sai do banheiro sem secar a mão e passa no ombro do amigo falando que mijou
  • o zuão sempre dá uma catucada naquele roxo que você tem no braço e pergunta “tá doendo???”
  • o zuão sempre molha a mão na pia do banheiro e simula um espirro na nuca de alguém
  • na páscoa o zuão sempre chega pro priminho de 4 anos e diz que coelho não bota ovo
  • o zuão sempre vai fazer uma gracinha com o nome dos outros na chamada
  • na sexta santa o zuão abre uma lata de salsicha e vai comer na frente da família só pra ~causar~
  • no aniversário do zuão o primeiro pedaço de bolo é sempre pra ele e o cara se acha transgressor
  • no ano novo, o zuão vai pra praia de preto, só pra dizer que é ~~do contra (por @MariaLuiza_M)
  • o zuão torce pra Argentina quando jogam Brasil x Argentina (por @O_Lorhan)
  • o zuão acha uma lampada magica e fica pedindo mais pedidos só pra ter tudo que quer (por @pedro_ivo_)
  • o zuão coloca o dedo no teu copo de refrigerante e pergunta se ta gelado (por @maatioss)
  • o zuão que faz “avehuj” “o que?” “prrrrr” (por @aleffo_)
  • o zuão que dá um tapa na sua nuca e fala que tinha um mosquito (por @aleffo_)
  • o zuão faz “peidinho” no suvaco e se mata de rir achando que todo mundo acredito (por @renne_elleven)
  • zuão é aquele que te cutuca de um lado e corre para o outro só pra vc olhar pro lado errado (por @ricardovettori)
  • zuão de verdade é aquele que pendura a máquina fotográfica no pulso e quando vai te dar finge que ela vai cair só pra te assustar (@unrealvictor)

Análise experimental de cunho sociológico sobre músicas e confeitos cariocas

O post a seguir é uma honesta análise de uma conhecida canção proveniente dos morros cariocas que fala sobre desigualdade social, diferença entre classes e que prega o apego físico entre as pessoas dos diferentes sexos.

O funk “Babalu” é composto pelo glorioso Mc Frank, multi-instrumentista e dono de uma das mais famosas marcas de pipoca do Brasil, as Pipocas Frank.

“Babalu” é uma música com forte essência erudita/emocional, remetendo aos fãs a energia saborosa e saudosista de consumir doces, como na infância de muitos de nós – cariocas (e por que não “brasileiros”) apreciadores de boas melodias e contos repletos de nostalgia.

A primeira estrofe da composição é uma amostra da complexidade que a obra te propõe, já promovendo a igualdade financeira e a proximidade entre outros artistas desta bela cidade que é o Rio de Janeiro:

Quer bolete?
Ô Colibri seu pela saco,
tu não chega aos meus pés
Babalu é vinte e cinco,
o bolete é três por dez

Colibri, famoso Mc fluminense que estourou nas rádios alguns anos atrás com a fabulosa canção “Quer Bolete?“,  desta vez, marca presença nos versos de “Babalu” com essa linda homenagem de Mc Frank.

Mc Frank também dedica algumas das linhas da estrofe para falar sobre o desequilíbrio promocional dos doces visualizando pela ótica do mercado e as ofertas, mostrando o quanto a crise econômica afeta o elitismo proposto pela sociedade, enquanto tratando de balas e chicletes, sendo consumidos pelas diferentes classes sociais de uma mesma base da pirâmide econômica carioca.

Vem, vem, vem, vem, com a mão no meu piru
Quer bolete é o caralho, o negocio é babalu
uhu uhu uhu o negócio é babalu

As três linhas acima propõe um gesto mais afetuoso por parte do sempre genial Frank. Sugerir que a parceira (ou o parceiro, sem preconceitos) acaricie seu respectivo pênis é um gesto comum entre a população do Rio de Janeiro e demonstra uma compreensão e apoio a idéia citada, de que Babalu – mesmo com seu alto valor no mercado – é sempre (ou não) a melhor escolha.

A canção encerra seu mar de nuances e reflexões profundas com uma simples composição literária:

Quem gosta de bolete
Dá o cú paga boquete
(repete 8x)

A repetição do verso frisa o quanto quem gosta do produto “bolete” é uma pessoa desempedida e livre dos paradigmas impostos pela sociedade moderna, permitindo relações nunca antes admitidas pela população medieval, tal como o sexo oral e o anal.

“Babalu” é uma obra cultural que merece ser valorizada e compartilhada com toda a família pois nos leva a uma viagem à realidade carioca, não só entre os jovens, mas em todas as pessoas, de idade avançada ou não, que admiram confeitos e boas músicas.

E você, caro amigo, quer bolete?

http://www.youtube.com/watch?v=IsUw7HF_BpA