Análise experimental de cunho sociológico sobre músicas e confeitos cariocas
O post a seguir é uma honesta análise de uma conhecida canção proveniente dos morros cariocas que fala sobre desigualdade social, diferença entre classes e que prega o apego físico entre as pessoas dos diferentes sexos.
O funk “Babalu” é composto pelo glorioso Mc Frank, multi-instrumentista e dono de uma das mais famosas marcas de pipoca do Brasil, as Pipocas Frank.
“Babalu” é uma música com forte essência erudita/emocional, remetendo aos fãs a energia saborosa e saudosista de consumir doces, como na infância de muitos de nós – cariocas (e por que não “brasileiros”) apreciadores de boas melodias e contos repletos de nostalgia.
A primeira estrofe da composição é uma amostra da complexidade que a obra te propõe, já promovendo a igualdade financeira e a proximidade entre outros artistas desta bela cidade que é o Rio de Janeiro:
Quer bolete?
Ô Colibri seu pela saco,
tu não chega aos meus pés
Babalu é vinte e cinco,
o bolete é três por dez
Colibri, famoso Mc fluminense que estourou nas rádios alguns anos atrás com a fabulosa canção “Quer Bolete?“, desta vez, marca presença nos versos de “Babalu” com essa linda homenagem de Mc Frank.
Mc Frank também dedica algumas das linhas da estrofe para falar sobre o desequilíbrio promocional dos doces visualizando pela ótica do mercado e as ofertas, mostrando o quanto a crise econômica afeta o elitismo proposto pela sociedade, enquanto tratando de balas e chicletes, sendo consumidos pelas diferentes classes sociais de uma mesma base da pirâmide econômica carioca.
Vem, vem, vem, vem, com a mão no meu piru
Quer bolete é o caralho, o negocio é babalu
uhu uhu uhu o negócio é babalu
As três linhas acima propõe um gesto mais afetuoso por parte do sempre genial Frank. Sugerir que a parceira (ou o parceiro, sem preconceitos) acaricie seu respectivo pênis é um gesto comum entre a população do Rio de Janeiro e demonstra uma compreensão e apoio a idéia citada, de que Babalu – mesmo com seu alto valor no mercado – é sempre (ou não) a melhor escolha.
A canção encerra seu mar de nuances e reflexões profundas com uma simples composição literária:
Quem gosta de bolete
Dá o cú paga boquete
(repete 8x)
A repetição do verso frisa o quanto quem gosta do produto “bolete” é uma pessoa desempedida e livre dos paradigmas impostos pela sociedade moderna, permitindo relações nunca antes admitidas pela população medieval, tal como o sexo oral e o anal.
“Babalu” é uma obra cultural que merece ser valorizada e compartilhada com toda a família pois nos leva a uma viagem à realidade carioca, não só entre os jovens, mas em todas as pessoas, de idade avançada ou não, que admiram confeitos e boas músicas.
E você, caro amigo, quer bolete?
http://www.youtube.com/watch?v=IsUw7HF_BpA